José Augusto Maciel Torres

Faz mais de vinte anos que ministro cursos de massoterapia e terapias orientais, sendo um dos pioneiros no ensino destas técnicas terapêuticas em Salvador, capital baiana. Onde atuo  como Reitor-Presidente da UNIVERSIDADE LIVRE DE TERAPIAS PSICOBIOENERGÉTICAS (ULTEP) que, graças ao dinamismo do Professor e Massagista FRANKLIN FERREIRA DE SOUZA , meu fiel parceiro neste projeto, já foram formados diversos profissionais em massagem e afins neste referido estado. Tenho, devido a isso, percebido uma enormidade de profissionais de artes marciais que fazem cursos de massoterapia,principalmente Oriental, objetivando ter uma nova condição profissional. Alguns até mesmo passam a se dedicar pura e exclusivamente ao exercício profissional como Massagista  e afins, enquanto outros aliam seus conhecimentos marciais aos novos conhecimentos terapêuticos orientais adquiridos. Mas em ambos os casos  tem-se ganhos financeiros. Haja vista que o mercado atual voltando para docência marcial encontra-se deficitário em termos econômicos.

Tive sorte de ao iniciar no Karate, na década de setenta, ter tido informações primordiais sobre o Shiatsu e o Yoga por meio do meu primeiro professor marcial, Joan Lemos, que me  possibilitou ter uma abertura mental sobre a necessidade dos conhecimentos terapêuticos orientais para melhor atuação na docência marcial. Não somente na atuação profissional como também para o uso no dia-a-dia como recurso complementar na atividade marcial como um todo.Pois as  técnicas terapêuticas orientais  como o Shiatsu, Seitai e o Kwatsu ,permitem ao marcialista ter uma visão holística do individuo.Auxiliando-o na condução do  seu trabalho marcial.

Em 1983 tive a oportunidade de participar como aluno no curso de MASSAGISTA (Ocidental  e Oriental), em Salvador. Este curso foi coordenado e ministrado pelo professor Armando Austregésilo, Presidente da Associação de Massagem Oriental do Brasil, sediada em São Paulo, capital .Obtendo nesta oportunidade  o certificado  como MASSAGISTA, com devido registro profissional na Secretaria da Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Isto me permitiu, desde cedo, mergulhar neste maravilhoso universo terapêutico manual  , aliado á marcialidade.
Alguns pesquisadores da terapêutica oriental não gostam do uso do termo Massagem Oriental para designar as técnicas do Tui -Nah (massagem chinesa) e do Shiatsu (massagem japonesa). Um deles é o conceituado Prof. Dr. Sohaku Bastos, que apesar de nascido na Bahia, fixou residência no Rio de Janeiro e estudou durante um bom tempo no Japão. Conheço o excelente trabalho do Prof. Dr. Sohaku, tendo  até a oportunidade de, no período de 2000 / 2001, atuar como coordenador dos cursos de acupuntura e Shiatsu na cidade do Salvador, realizados pela Academia Brasileira de Arte e Ciência Oriental (ABACO) em parceria com a  The Open Internacional University for Complementary Medicines (Unimec), sediada no Sri-Lanka, onde o Prof. Dr. Sohaku é o Reitor no Brasil. Porém, mesmo respeitando-o como grande mestre marcial e das terapias orientais, acho que o termo Massagem Oriental ainda tem uma grande aceitabilidade no mercado terapêutico e marcial.Inclusive o professor  Armando Austregésilo, meu primeiro docente de massoterapia, define a massagem como “A LINGUAGEM DO TATO”. Isto é uma  pura verdade, pois as técnicas de terapias manuais se juntam com a própria historia da humanidade, tendo em vista que os antigos textos históricos relacionados á medicina fazem fortes citações  ao toque manual como mecanismo de cura.

A LITERATURA ORIENTAL

Em se tratando de aspectos literários e filosóficos dentro do extremo Oriente na antiguidade, encontramos a China e a Índia como destaques. Surgindo na China em 2630 a.C, o Nei-Chin, se caracteriza por ser uma das mais importantes e antigas obras da medicina tradicional chinesa. Já na Índia Os Vedas (2000 /2500 a.C.) deram condições para o surgimento da medicina Ayurvedica, que é a medicina tradicional indiana.


Enquanto isso, nos antigos clássicos da medicina no Egito e na Mesopotâmia as terapias manuais já figuravam com destaques. Porém foi somente com Herodikus (500-400 a.C.), mestre do famoso Hipocrates  ,que a terapia manual se juntou á medicina e a cinesioterapia.

No século XIX o cientista sueco Perh Henrike Ling criou um sistema de massagem ocidental, conhecida mundialmente como Massagem Sueca ou Método Ling. Este cientista fundou em 1813, em Estocolmo, o Real Instituto de Ginástica Médica. Mas é interessante lembrar que no Ocidente, devido á divisão entre corpo e mente gerada pelo pensador  René Descartes, Pai da Filosofia Moderna, o toque sempre foi visto como algo secundário dentro do contexto terapêutico. Enquanto que dentro da visão panteísta oriental existe uma grande valorização do ser humano dentro de uma  abordagem psicobioespiritual(mente, corpo e espírito). Possibilitando  assim uma grande diferença entre a abordagem da massoterapia no Oriente e  Ocidente

O CHI

Os chineses na antiguidade criaram uma teoria segundo a qual o homem é o microcosmo e o universo o macrocosmo. Existindo em tudo e em todos  uma energia denominada de CHI. E para se ter  saúde é necessário  o pleno equilíbrio do CHI, em chinês,ou KI ,denominação japonesa, envolvendo o universo e o homem. Estes princípios são as bases de toda a filosofia e terapêutica do extremo Oriente. No Ocidente, graças ás nossas heranças do judaísmo e do cristianismo, não existe uma íntima relação do homem com a natureza que o cerca. Felizmente nos dias atuais têm surgido diversos movimentos, até mesmo na ciência, para a devida aceitação das teses holísticas, possibilitando uma globalização entre o universo e o ser humano.
Dentro da medicina Ayurvedica, na índia, existem as massagens com óleos terapêuticos denominadas de Abiyanga. Além disso, neste país tem uma técnica de massagem para  bebês conhecida como Shantala, devido a um trabalho literário desenvolvido no Ocidente pelo médico francês FREDERICK LEBOYER.Pois este médico francês  em passagem pela  Índia, conheceu uma mulher, de nome Shantala, que ministrava massagem em seu filhinho. Achou interessante esta seqüência de massagem e resolveu divulgar esta prática no Ocidente. Escreveu um livro, cujo titulo é Shantala, e fez esta prática manual con
hecida em todo o mundo Ocidental.

AS TÉCNICAS ORIENTAIS

O termo Shiatsu, que traduzimos  do japonês como: Shi-dedo e Atsu-pressão, é uma técnica terapêutica nipônica recente, sendo a síntese de várias técnicas de origens chinesas e japonesas. O Anma tem sua origem na prática chinesa do Anmo, que teve o seu desenvolvimento na China durante a dinastia Quin e Han e na época dos três reinos (250 a.C e 280 d.C). A primeira literatura relacionada a  anmo foi a Huang Di Qi Bo Na Mo Jing Shi Juan, e infelizmente, se perdeu, impossibilitando o desenvolvimento completo desta técnica até a presente data. Porém o Huang Di Nei Jing, escrito na China nesta mesma época, acabou sendo o mais antigo tratado médico chinês, mostrando a anmo através dos seus aspectos históricos e terapêuticos.

Somente nas dinastias Sui e Tang (681 a 901 d.C.) é que  foi desenvolvido oficialmente o departamento de anmo entre os médicos imperiais chineses. No Japão antigo existiam práticas tradicionais tais como o Kwatsu ou Kappo que eram técnicas de primeiros socorros muito usados nas  praticas do Yawara, que se caracteriza por ser uma arte marcial muito antiga que originou as modernas atividades marciais  nipônicas,  tais como o Jiu Jitsu, Judô, Aikido, Karate, Aikido etc.

Na China,a  prática manual terapêutica teve sua evolução na cidade de Quigdao, nas montanhas do distrito de Laoshan e em outros lugares da península de Jiaodong norte, sempre aliada ás práticas das artes marciais chinesas. Uma pratica muito popular no Japão é a do Do-In que se caracteriza por ser uma técnica de auto-massagem energética. Em nosso país o Do-In foi muito bem divulgado através das obras e dos cursos realizados pelo professor Juracy Cançado.

No Japão também é encontrado o Seitai, que se caracteriza por ser uma prática manual que objetiva o ajeitamento da coluna vertebral, mediante pressões, trações e manipulações articulares. O Seitai teve seus passos iniciais com os samurais e através da Yawara.Seitai em japonês significa: “arrumar o corpo humano’´. Desde a antiguidade japonesa existem métodos de manipulações articulares tais como o Kotsuban Ryoho (manipulação da bacia-articulação sacro-iliaca) e o Kwansetsu Ryoho (manipulações das articulações em geral)

Em 1068 d.C. houve a fundação da primeira faculdade de medicina na China e isto fez com que as práticas  manuais ficassem restritas neste país somente  as crianças. Devido a este fato, neste período na China houve um retrocesso e desvalorização das práticas manuais.Mas mesmo assim nessa época  o médico Tien ou Tong publicou um livro contendo as regras para massagens feitas por crianças. Na dinastia Ming (XIV e XV d.C.) a massagem voltou a ter credibilidade social e passou  novamente a ser amplamente praticada por profissionais com formação médica. Entre 1644 e 1911, dinastia Ching, houve a proibição da prática da acupuntura na China, que acabou sendo uma grande perda para  medicina tradicional chinesa, principalmente na parte  da massoterapia, conhecida neste país pelo nome de Tui-Nah. Em 1949, com o surgimento da República Popular da China, houve novamente  uma aceitabilidade das práticas terapêuticas, dando credibilidade social para o  Tui-Nah.Em 1958 na China foram criadas a Clínica de Shangai de Tui-Nah  e a Escola Técnica Secundária de Tui-Nah. Em 1987 foi fundada a Associação Chinesa de Tui-Nah.

O Tui-Nah é uma técnica de massagem chinesa que tem o significado de : “mão que busca harmonia colocada em movimento”. O Tui-Nah pode ser aliado as outras técnicas terapêuticas orientais e tem a seguinte classificação:
1 – Terapia especializada em diversas áreas, tanto no adulto quanto em crianças.
2 –  Terapia associada ao uso da acupuntura tradicional que foi empregada no passado na China
3 – Terapia de caráter preventivo  e de  auto-aplicação  associada ás artes chinesas, tais como o Tai Chi Chuan e o Qi Gong.
Nos últimos anos o estudo e as pesquisas em torno da Tui-Nah vem  permitindo um grande avanço social desta técnica manual chinesa.Apesar de nas publicações clássicas chinesas ainda terem colocações do Tui-Nah como uma simples técnica auxiliar da acupuntura tradicional.

Os livros japoneses que contam a  historia da Medicina Oriental, escritos no século XVII, na dinastia Ching (1644 – 1911), relatam que a proibição da acupuntura na China levou muitos mestres e médicos chineses  para o Japão. Devido a isso houve o desenvolvimento no Japão do Te-a-Te.Havendo assim o surgimento de alguns ramos que originaram o Shiatsu: o Anma, que tem origem no Anmo chinês, o Anpaku, que é uma prática de massagem abdominal japonesa, o Seitai, que se caracteriza por desenvolver trabalhos nas articulações e na coluna vertebral, e o Kwatsu, uma prática de reanimação e primeiros socorros usados nas artes marciais. Estas técnicas acabaram  sendo a síntese  do moderno Shiatsu.

Sempre aliadas ás terapêuticas tradicionais orientais. O Shiatsu se caracteriza por ser a prática manual, nascida no Japão, mais conhecida no Ocidente assim como a Tui-Nah é a massagem de origem  chinesa mais difundida em nosso país.
Infelizmente a maioria dos  marcialistas desconhecem a importância terapêutica, profissional e social das técnicas de massagens e demais terapias de origem Oriental. É chegado a  hora de percebermos os inúmeros benefícios que são proporcionados pelos estudos e desenvolvimentos de tais técnicas terapêuticas em nosso país; pois, além de possibilitar um bom retorno econômico, são práticas que facilmente se aliam com as  artes marciais. Até mesmo pelo seu passado histórico. Cujas origens estão intimamente relacionadas á marcialidade Oriental

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